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Thomas Helwys, o homem que desafiou um Rei por causa da liberdade

17/6/2026

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Fotografia
Hoje em dia, vivemos rodeados de muitos benefícios e coisas boas que às vezes não nos damos conta. Uma dessas coisas benéficas é a liberdade que as pessoas têm para seguir sua religião. Agora, você já imaginou viver em um mundo onde o governo decide até mesmo qual religião você deve seguir? Ou então, num mundo em que pensar diferente da maioria das pessoas de sua época pode te levar direto para a prisão?
No século XVII, na Inglaterra, era exatamente dessa maneira. Mas, no meio desse cenário de opressão e falta de liberdade, surgiu um homem chamado Thomas Helwys (1575-1616), que liderou o estabelecimento da primeira Igreja Batista na Inglaterra. Ele não era apenas um líder religioso; ele foi um verdadeiro herói da liberdade religiosa e de expressão, sendo considerado um dos fundadores do atual movimento batista.
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De Herdeiro a Fugitivo

Thomas nasceu em uma família rica e respeitada perto de Nottingham, por volta de 1575. Ele cresceu em uma propriedade chamada Broxtowe Hall, que pertencia à sua família havia gerações; estudou Direito em Londres e tinha tudo para ter uma vida tranquila e cheia de privilégios. Mas Thomas tinha uma inquietude: ele começou a ler a Bíblia e a questionar as regras da Igreja Oficial da Inglaterra, que, na época, era controlada pelo Rei James I; todos os cidadãos da Inglaterra eram membros forçados daquela Igreja.

Para Thomas Helwys, a fé não era algo que vinha “de cima para baixo”. Ele acreditava que cada pessoa deveria ter o direito de seguir a religião oficial e também de não a seguir. Na época, essa ideia era considerada muito perigosa; era quase um ato de traição contra o Rei. Por causa disso, Thomas e sua esposa, Joan Ashmore, começaram a acolher grupos de “rebeldes religiosos” em sua casa e contribuíram financeiramente com alguns desses “rebeldes religiosos”.

A Grande Fuga e o Nascimento de uma Ideia

A perseguição ficou tão pesada que Thomas tomou uma decisão radical: ele usou sua fortuna para financiar a fuga de seu grupo para a Holanda, um país que era mais aberto a novas ideias. Imagine o drama: famílias sendo separadas no meio da noite, barcos escondidos em portos remotos e a constante ameaça de serem pegos pelos guardas do Rei.

Thomas Helwys e sua esposa se uniram à congregação de John Smyth. Eles chegaram à conclusão que mudaria a história: o batismo não deveria ser dado a bebês, que nem sabem o que está acontecendo, mas era, na verdade, uma decisão voluntária de uma pessoa consciente que escolhe seguir Jesus. Assim, o ensino bíblico do “batismo de crentes” voltou a ser ensinado conforme a Bíblia.

O Retorno Perigoso: “O Rei é apenas um Homem”

Enquanto muitos preferiam ficar seguros na Holanda, Thomas sentiu que era seu dever voltar para a Inglaterra. Ele acreditava que, se todos os que defendiam a liberdade fugissem, a verdade morreria. Em 1612, ele retornou a Londres e fundou a primeira Igreja Batista em solo inglês, numa área chamada Spitalfields.
Mas ele não parou por aí. Thomas escreveu um livro chamado O Mistério da Iniquidade. O que ele fez em seguida foi o equivalente a marcar o perfil de um governante autoritário em uma rede social hoje em dia: ele enviou uma cópia autografada pessoalmente para o Rei James I. No livro, ele escreveu frases que ecoam até hoje: “O Rei é um homem mortal, e não Deus”.

Ele ensinou em seu livro que o Rei e nenhum governo têm o poder de controlar a alma eterna das pessoas. Para Thomas Helwys, a liberdade deveria ser para todas as pessoas. Ele foi o primeiro a escrever isso em língua inglesa!

O Sacrifício Final

A audácia de Thomas Helwys teve um preço alto. O Rei James I não tolerou isso e mandou prender Helwys na terrível Prisão de Newgate. Lá, longe de sua família e de sua propriedade, o homem que poderia ter sido um advogado rico e famoso morreu aos 40 anos de idade, no ano de 1616. Ele perdeu suas propriedades, sua liberdade e sua vida, mas nunca abriu mão de suas convicções bíblicas.

Por que a história dele importa para você hoje?

Você pode estar se perguntando: “O que um homem que viveu há 400 anos tem a ver comigo?”. A resposta é: tudo. Sabe quando você defende que cada um deve ter o direito de dar sua opinião sem ser cancelado ou punido? Ou quando você acredita que ninguém deve sofrer bullying ou preconceito por causa da sua crença? Thomas Helwys foi um dos primeiros a lutar por isso. Ele ajudou a plantar a semente de que o Estado e a Igreja devem ser separados e que a consciência individual é sagrada.

Segundo a Aliança Batista Mundial, hoje existem cerca de 53 milhões de batistas no mundo, mas o legado de Helwys vai além dos batistas. Ele nos ensinou que a coragem de um pequeno grupo — no caso dele, apenas dez pessoas que voltaram para a Inglaterra — pode mudar o rumo da história.

Resumo do Legado de Helwys:
  • Liberdade de Consciência: Foi o primeiro a pedir liberdade religiosa para todas as pessoas, sem exceção.
  • Coragem Civil: Enfrentou o líder mais poderoso de seu país usando apenas caneta e papel.
  • Fé Consciente: Defendeu que a religião deve ser uma escolha pessoal e voluntária, não uma imposição da família ou do governo.
  • Resistência Pacífica: Ele não usou armas para lutar, mas sim argumentos bíblicos.

Thomas Helwys morreu numa cela escura e úmida, mas suas ideias iluminaram o caminho para a liberdade. Ele nos mostra que, às vezes, o caminho certo é o mais difícil, mas é o único que realmente deixa uma marca no mundo. Da próxima vez que você exercer seu direito de dizer o que pensa, lembre-se de que alguém, há muito tempo, deu a vida para que isso fosse possível.

ÍCARO ALENCAR DE OLIVEIRA é missionário e pastoreia a Igreja Batista Esperança, em Rio Branco, Acre. É casado com Tamara Reis e pai dos gêmeos Théo e Kaleb. É formado em Letras/Inglês pela Universidade Federal do Acre (UFAC), tradutor, revisor e editor de vários livros e artigos. 

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