Editorial Publicado no Jornal Batista em 1911 afirmava: Os Batistas Não São Calvinistas; confira!10/2/2026 São os Baptistas Calvinistas? Esse é o títilo do editorial publicado por ZT Cody no Jornal Batista em 06 de abril de 1911. Confira: A resposta a esta pergunta depende do que queira dizer o termo calvinismo. Se por calvinismo se entender tudo quanto Calvino ensinou e praticou só se pode responder com um positivo não; pois que Calvino cria e mandava queimar gente accusada de heresia, cria na união da egreja e do estado, no baptismo infantil e em muitas outras cousas que sempre foram totalmente rejeitadas pelos baptistas. Porem estas cousas, conquanto ensinadas e praticadas pelo theologo de Genebra, não são agora consideradas essenciaes ao systema; e já muitos pensam que ellas podem ser rejeitadas e ainda assim ser calvinista aquelle que as rejeite. Os chamados «cinco pontos do calvinismo» são as doutrinas essenciaes do systema. Estão estes pontos agora em esquecimento, porem houve tempo em que elles foram tão familiares como os caracteres do alphabeto. São elles a predestinação individual, o sacrificio expiatorio limitado, incapacidade natural do homem, irresistibilidade da graça e perseverança dos santos. Ora se isto constitue o calvinismo, mais uma vez certo que os baptistas não são calvinistas. Este systema pode ser achado nas velhas confissões de fé daquelle tempo e sustentado por algumas egrejas baptistas. É verdade tambem que ha muitas egrejas baptistas agora que mantêm algumas das doutrinas deste systema. Todas as egrejas baptistas, tanto as boas como as más, mantêm a doutrina da perseverança dos santos. Porem pode-se affirmar sem receio que não ha hoje egreja baptista que mantenha os cinco pontos do calvinismo. Algumas dessas doutrinas são repulsivas ao nosso povo, isto é, a crentes baptistas. Haverá um ministro baptista que creia na limitação do sacrificio expiatorio? Porem pode-se dizer que o calvinismo é antes um espirito do que um systema; e a sua essencia deve ser procurada não em um credo mumificado, mas no espirito de liberdade que elle anima. Seria quasi impossivel exaggerar os beneficios em prol da liberdade dados ao mundo moderno por Calvino. A tyrannia e o predominio fradesco sacerdotal morreram onde o calvinismo se espalhou. Este espirito sobrepujou o de Luthero na creação das condições favoraveis á liberdade. Luthero livrou os homens do jugo sacerdotal; porem Calvino levou a demolição não só á tyrannia sacerdotal mas a todas as outras especies de tyrannias. Ora, porque a liberdade é um sentimento aprofundado na alma dos baptistas, diz-se muitas vezes que somos calvinistas. Será isso verdade? Se não estamos em erro, a liberdade baptista é differente da liberdade calvinista. Ha uma differença se bem que agora não muito em evidencia, ao menos no periodo primitivo esteve em destaque. Os calvinistas amavam muito a liberdade para si — para os eleitos; porem os baptistas amavam a liberdade para todos. O calvinismo em seus primeiros dias quando attingiu o predominio, não permittia a todos o livre exercicio da sua fé. Era mais ou menos intolerante. Porem os baptistas concediam aos outros a mesma liberdade que para si reclamavam. Esta differença entre o espirito liberal baptista e o espirito liberal calvinista deve ser attribuida á differença de seus credos. Ambos são animados de liberdade, ha muito em que elles se assemelham, mas é difficil ás vezes fundirem em um; porem suas fontes de liberdade differem. A doutrina da eleição foi a fonte principal de liberdade para os calvinistas; pois foram capacitados em responsabilidade directa a Christo que os escolheu. Cada individuo tinha Christo e somente Christo por seu Senhor. Elle recebia a vida e ordens directamente do Senhor. Isto de facto elevou sobre a auctoridade terrestre, na egreja e no estado, e dispôz contra qualquer auctoridade terrestre quando ella estivesse em opposição a Christo. Isto foi um bem, porem, no seu entender, somente os eleitos eram immediatamente governados por Christo. E quanto aos outros? Os santos deviam governal-os; e consequentemente os calvinistas tornaram-se intolerantes. A liberdade baptista originou-se principalmente na crença ácerca do Espirito Santo. O Espirito Santo era a sua fonte de auctoridade; e o Espirito Santo foi dado, não aos papas, bispos, padres, concilios, mas a todo o povo de Deus. Elle foi derramado sobre toda a carne, isto é, sobre todas as creaturas humanas. Deste modo o povo tornou-se a fonte de auctoridade na egreja e no estado, e dessa doutrina surgiu a nossa moderna democracia ou congregacionalismo. E desde que Deus deu o seu Espirito ao homem, e não a alguns poucos eleitos dos homens, fez-se a base da igualdade universal que é um padrão de gloria dos baptistas, e á qual o calvinismo não poderia chegar, pela restricção da sua crença. Em resposta á pergunta, então, devemos dizer que os baptistas não são calvinistas; e comquanto o calvinismo seja um nome que muito honre, os baptistas chamando-se calvinistas despem-se de maiores titulos de gloria que só a elles pertencem. O espirito de liberdade baptista, comprehende todo o bom espirito de liberdade calvinista e muito mais. Z. T. Cody, O Jornal Batista, 06 de abril de 1911. |
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