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A história dos batistas na Venezuela é marcada pela expansão missionária em meados do século XX e pelo desenvolvimento de instituições educacionais robustas, apesar dos desafios políticos e sociais recentes. 1. Início e Primeiras Missões
Convenção Batista Nacional da Venezuela: Visão geral histórica Deus, por meio de vários homens e instituições, possibilitou o desenvolvimento e a consolidação da Obra Batista Nacional (OBN). Precisar suas origens não é tarefa fácil, pois foi marcada por muitas situações, incluindo momentos de bênção e também de dificuldades. OS COMEÇOS A história começou entre 1945 e 1950. Nomes como Ruperto Prato, em Guasdualito (Estado de Apure), e jovens como Julio Moros, Rafael Urdaneta Mejías e Domingo Bracho, estudantes do Instituto Bíblico de San José, Costa Rica, que receberam a doutrina do Novo Testamento, são lembrados. A Editora Batista (El Paso, Texas, EUA) distribuía então suas publicações para igrejas e instituições evangélicas em diversos países. Assim, as doutrinas do Novo Testamento eram ensinadas a vários alunos do Instituto Bíblico de Maracaibo, posteriormente denominado Ebenezer. Um desses alunos era José Juan Corti Guerrero, que em 1944 foi chamado para iniciar a obra batista em Acarigua, com o apoio da Associação de Igrejas Batistas Independentes para a Evangelização Mundial (uma organização de origem norte-americana), liderada pelo casal missionário Jaime e Elena Carder. Esse trabalho resultou na fundação da Primeira Igreja Batista da Venezuela, organizada em 15 de julho de 1945, na cidade de Acarigua, estado de Portuguesa. Por motivos de saúde, Corti Guerrero liderou a igreja por um curto período, sendo sucedido como pastor por Germán Núñez Bríñez. Em novembro de 1946, foi fundada a Igreja Batista de Guanare (PIB), e Antonio Escalona foi contratado como obreiro. Em 1947, foi fundada a Primeira Igreja Batista de Barquisimeto, sob o pastorado de Eusebio Pérez. Simultaneamente, Antolín Tovar, que liderava uma pequena igreja em San Nicolás, Portuguesa, adotou as doutrinas do Novo Testamento e solicitou o batismo por imersão, juntamente com toda a sua congregação. Essas quatro igrejas batistas (Acarigua, Barquisimeto, Guanare e San Nicolás) formaram a Associação Batista de Portuguesa e Lara, que apoiava os obreiros, realizava trabalho missionário em toda Portuguesa e publicava uma revista chamada "Luminar", precursora da publicação posterior "Luminar Bautista". Em Caracas, a Igreja Batista Central foi organizada em 2 de maio de 1946 e, posteriormente, surgiu a Primeira Igreja Batista de Maracaibo (1950), completando o sexteto de igrejas que se uniriam, um ano depois, para formalizar a criação da Convenção Batista Nacional da Venezuela (CNBV). Em 1950, as igrejas batistas venezuelanas faziam parte da Convenção Batista Colombiana-Venezuelana, que mantinha estreita relação com a Convenção Batista do Sul (EUA). Dadas as dificuldades impostas pela distância e pela comunicação para o trabalho colaborativo, Tomás L. Neely (o único missionário da Junta de Missões Estrangeiras – JMF – baseado na Venezuela) concordou em realizar os chamados "Encontros de Evangelização" para trocar ideias e treinar obreiros nos princípios e na organização batista. No terceiro desses encontros, realizado em Guanare, Portuguesa, surgiu a ideia de organizar a Convenção Batista Venezuelana (CNBV). Dois comitês foram nomeados para esse fim: um para organização, composto por José Juan Corti, Germán Núñez, José Requena e Antonio Escalona; e o outro para preparar um projeto de constituição, formado por Pierre Luc Eustache, J. Ulman Moss e Oscar Galdona. A reunião organizacional foi realizada em Acarigua de 7 a 12 de agosto de 1951, porque: primeiro, era o ponto mais central do país, abrangendo a nascente OBN; e segundo, a primeira das seis igrejas batistas que se organizaram como Convenção havia sido fundada lá. De 1951 a 1955, o crescimento quase dobrou, passando de seis para onze igrejas organizadas. Tamanho foi o progresso alcançado que o jovem missionário Clyde Clark apresentou um "Plano de Avanço" que incluía, entre outras coisas, um Instituto Teológico. O período de 1955 a 1958 foi marcado por significativas contradições. As organizações auxiliares de jovens e mulheres, criadas um ano após a Convenção, desenvolveram-se e adquiriram identidades próprias. O missionário Clyde Clark, que fazia história na obra nacional, faleceu. O Instituto Teológico foi fundado, mas dissolvido quase imediatamente. Esse período culminou na triste separação das JMF (Jovens Missionárias de Maria), decisão formalizada em assembleia extraordinária realizada em Barquisimeto, nos dias 17 e 18 de dezembro de 1958. UMA OBRA NACIONAL: 1959-1964 A ruptura com a JMF serviu para revitalizar a obra nacional, conferindo-lhe identidade própria e dependência de Deus. De janeiro de 1959 a agosto de 1964, a CNBV consolidou-se como organização, desenvolveu personalidade própria e atingiu a maturidade, ainda que com sacrifícios dos obreiros, de suas famílias e das igrejas em geral. Dois aspectos se destacam aqui: o incentivo ao ensino da mordomia cristã e as discussões com a JMF para restabelecer as relações em uma base de cooperação diferente. O acordo anterior foi alcançado em uma reunião histórica realizada em outubro de 1963 entre o Conselho Diretor da CNBV e o Comitê Executivo da JMF. Posteriormente, foi ratificado pelas igrejas na XIV Assembleia Anual realizada em Valência, Carabobo. ASCENSÃO EXTRAORDINÁRIA: 1964-1975 Durante esse período, houve um progresso extraordinário na obra nacional. Foi fundado o Seminário Teológico Batista da Venezuela (STBV), criada a Residência Batista Estudantil de Guanare, estabelecido um Fundo de Empréstimo para a construção de templos, organizado um Fundo de Aposentadoria para os trabalhadores, desenvolvido um frutífero ministério radiofônico que ultrapassou a América Latina e um ministério musical que também deu frutos. Houve também progressos significativos em missões e campanhas evangelísticas, bem como treinamento rigoroso para líderes jovens e leigos comprometidos em servir ao Senhor. É importante destacar que, durante esse período, a Oferta Missionária "Siomara de Núñez" foi institucionalizada para promover o trabalho missionário em todo o país. REORGANIZAÇÃO INSTITUCIONAL: 1976-1984 Durante esse período, a estrutura organizacional da CNBV foi revista. Considerou-se de suma importância adaptar a Convenção às mudanças e demandas dos diversos ministérios do trabalho nacional. Após oração e debate, uma reformulação completa da estrutura organizacional foi aprovada em 1976. O crescimento continuou em bom ritmo. Igrejas batistas haviam sido estabelecidas na maioria dos estados, e a Assembleia aprovou um plano de longo prazo (1976-2000, 25 anos) e um plano quinquenal (1976-1980), que visavam dobrar o evangelismo durante esse período e alcançar um aumento de pelo menos 50% no número de igrejas batistas. A meta era atingir 100 igrejas até 1980. Essa meta foi alcançada em 1984, quando 103 igrejas afiliadas foram alcançadas, para a glória de Deus. Outro marco foi a institucionalização da Marcha Evangelizante, realizada pela primeira vez em 1977. Isso marcou decisivamente a visão do trabalho evangelístico e missionário das igrejas da Convenção, que culminou esta etapa estabelecendo as diretrizes para a realização do plano mais ambicioso que a OBN já havia elaborado em toda a sua história: “O Plano de Um Milhão”. A GRANDE VISÃO: 1985-1999 De 1986 até o final do século XX, os esforços se concentraram na evangelização e na fundação de novas igrejas. De 1985 a 1990, um importante acordo foi estabelecido entre a CNBV e a Convenção Batista do Tennessee (EUA), que rendeu excelentes resultados. Em 1986, com uma oferta recebida por meio da JMF, dois lotes de terreno localizados em frente ao Monumento da Batalha de Carabobo foram adquiridos, onde o novo Acampamento Nacional foi estabelecido e os planos para a construção de vários edifícios para a nova sede da Convenção foram elaborados. Com a aproximação do ano 2000 e a aparente impossibilidade de atingir a meta de um milhão, houve uma diminuição nos esforços de evangelização e no envio de missionários, que se recuperaram significativamente no início do século XXI. ANOS 2000-2010 “Há vida em Jesus” é o lema que marca este período. A primeira fase ocorreu de 2000 a 2005, e a segunda, de 2006 a 2010. Dentro dessa estrutura, a CNBV (Comissão Nacional para Missões Bíblicas) estabeleceu a meta de fundar 1.000 igrejas até 2010. Em seguida, foram feitos esforços para preparar obreiros por meio do STBV (Serviço Padrão de Treinamento Missionário Bíblico), dos programas de missionários voluntários, do Centro Intercultural de Treinamento Missionário, dos Institutos Bíblicos, do Departamento de Educação e de programas de ensino a distância. A DIME (Diretoria de Educação Missionária) expandiu seu trabalho no envio e apoio a missionários, contando com a Oferta Missionária. E, em conjunto com esse esforço, o trabalho das igrejas locais no estabelecimento de novos ministérios é notável. Também contribuíram o acordo com a Convenção Batista do Alabama (EUA), desenvolvido nos primeiros cinco anos do século XXI, e o acordo com a Convenção Batista do Texas (EUA), iniciado em 2008 e prorrogado até dezembro de 2013. O ano de 2010 foi excepcional para a evangelização e o trabalho missionário. Os esforços de evangelização nos estados de Portuguesa, Barinas, Trujillo e Mérida, bem como as campanhas evangelísticas em Cagua (Aragua) e Ciudad Guayana (Bolívar), renderam um resultado extraordinário e glorioso: 10.650 decisões de fé entre julho e setembro. Merece destaque, nesse período, a ampla reestruturação do CNBV (Banco Nacional da Venezuela) para transformá-lo em uma organização moderna e estável, alinhada às necessidades do OBN (Banco Nacional da Venezuela). ANOS 2011-2015 Em nível internacional, um acordo com a Convenção Batista do Peru e planos para alcançar o Paraguai, o México e a Colômbia em 2011, formaram uma visão continental que se consolidou com a ênfase da CNBV para aquele ano: "Até os confins da terra". O país adotou um novo plano sob o lema “Jesus Cristo, a Água da Vida” para o período de 2011 a 2015. A Organização Evangélica Nacional (NEO) continuou sua trajetória de crescimento, e o número de igrejas afiliadas aumentou de 506 em 2010 para 642 em 2015. Estimava-se também que, ao final desse período, haveria mais de 300 missões e congregações distribuídas por todo o país. As organizações auxiliares, o Corpo Padrão da Vida (STBV) e o Acampamento também continuaram seu desenvolvimento. Este período foi caracterizado por uma crise generalizada no país, que afetou a economia, a sociedade e a política. A Organização Missionária Nacional (OMN) foi impactada pelas dificuldades econômicas, que limitaram os investimentos em trabalho missionário, construção de igrejas, expansão da infraestrutura e investimentos em geral; mas, ao mesmo tempo, ampliou as oportunidades de evangelização e alcance missionário nacional, chegando inclusive a firmar acordos internacionais. ANOS 2016-2020 A Direção Geral iniciou ações para desenvolver a transição dos planos de gestão da organização para o quinquenal 2016-2020. Levando em consideração a proposta da União Batista Latino-Americana (UBLA), incluída no Plano Quinquenal “Jesus, Transformação e Vida”, foi elaborado o plano nacional da OBN. Durante a Assembleia de 2014, foi apresentado o projeto “100 Dias de Oração pela Venezuela, América Latina e o Mundo”, que deu início a uma nova fase de trabalho baseada nas três ações espirituais fundamentais: oração, evangelização e discipulado, dentro de um quadro de ação missionária, tanto nacional quanto internacional. Após 12 anos sendo realizada nas instalações do Acampamento Nacional, decidiu-se realizar a assembleia anual em grandes cidades. Assim, a ANA 2015 aconteceu em Barquisimeto e o 1º Congresso das Organizações Auxiliares foi organizado na cidade de Barcelona. O projeto “100 Dias de Oração” foi repetido em 2015 e o projeto missionário Transformación Venezuela (TRANSVEN) foi lançado para envolver um número significativo de novos missionários na obra. A ANA 2016 foi realizada na cidade de Guanare e, em 2017, a Assembleia aconteceu em Maracaibo. Nesta última reunião, decidiu-se retornar com as assembleias ao Campo Carabobo. A crise na Venezuela está forçando mudanças e ajustes em todas as igrejas e dentro da Convenção Batista Nacional (CBN). As operações administrativas da CBN e seus programas e projetos locais, regionais e nacionais estão sendo afetados. Mas, milagrosamente, o Senhor está permitindo que os efeitos da crise impulsionem a obra, que está redobrando seus esforços evangelísticos e missionários e experimentando um grande despertar na ação social das igrejas, associações e da convenção. A situação do país piorou, mas, em meio a esses tempos complexos, importantes acordos internacionais estão sendo firmados com convenções batistas irmãs, como as do Brasil, Chile e Colômbia, com a Junta Missionária Internacional dos Batistas do Sul e com organizações como a Convenção Batista Unida da América Latina (UBLA) e a Aliança Batista Mundial (WWA). ANOS 2020 – 2022 O ano de 2020 foi atípico devido à COVID-19. Embora essa situação tenha limitado, não impediu o desenvolvimento e as atividades do trabalho nacional. Por exemplo, o Projeto 500 foi consolidado . Este projeto envolve planos mistos apoiados pela CNBV (Comissão Nacional de Bancos e Vida), que nos permitirão cumprir a visão da nossa organização de plantar igrejas relevantes. Além disso, o amor de Deus, com compaixão e graça, foi demonstrado por meio dos programas sociais das igrejas locais. O desafio agora reside no desenvolvimento da segunda fase, durante o período de 2021 a 2025, do plano Jesus Transformação e Vida II. As ênfases propostas são: 2021, Evangelismo Transformador; 2022, Multiplicação do Discipulado; 2023, Compaixão e Graça; 2024, Liderança Aprovada; 2025, Plantio de Igrejas Relevantes. Olhando para os campos, vemos que mais uma vez eles se apresentam “brancos para a colheita”. E ao completarmos estes 71 anos como Convenção, damos graças a Deus e o louvamos por Sua fidelidade. Agora podemos ter uma profunda expectativa pela grande perspectiva que Deus abre para a geração de batistas que são chamados a liderar a obra nacional, a cumprir o desejo de nosso Deus de “ser uma bênção para todas as famílias da Venezuela e do mundo”. O hino da CNBV representa um desafio para a comunidade batista venezuelana. A tarefa é imensa e constitui um desafio supremo. Seu alcance pode motivar e fortalecer as igrejas em seu ministério para serem "sal e luz" na Venezuela, impactando a nação com o Evangelho de Cristo. 725 - Igrejas 48,000 - Membros Telefone: +58 212 794 1878 Fax: +58 212 781 9043 Website: www.cnbv.org Presidente: Carleguis Ríos Carreño Diretor Geral: Elier J. Romero M. fontes
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Janeiro 2026
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